Liquidez via Pix e rendimento cheio da Selic viram peso na balança dos CDBs
Tesouro Nacional – Lançado recentemente, o Tesouro Reserva rende 100% da Selic com resgate 24 horas por Pix a partir de R$ 1, retirando dos grandes bancos o trunfo de oferecer liquidez imediata com retorno próximo ao CDI sem rival soberano.
- Em resumo: Especialistas já veem CDBs dos “bancões” sendo reajustados para até 110% do CDI para segurar clientes.
CDBs de varejo entram em jogo duro
Segundo dados mais recentes do Banco Central, o varejo mantinha R$ 633 bilhões em CDBs e RDBs no fim de 2023. Caso even-tual parte desse volume migre para o novo título, o custo de captação dos bancos sobe e tende a aparecer, depois, nos juros do cheque especial, cartão e financiamento.
“Não tem jeito, vai ter impacto”, afirma um diretor de banco de médio porte citado pelo InfoMoney.
Para manter o dinheiro em casa, executivos admitem oferecer 105% ou 110% do CDI, sobretudo nos CDBs com liquidez diária que abastecem as chamadas “caixinhas” digitais.
Fundos DI e depósitos automáticos também perdem terreno
Além dos CDBs, fundos DI – já pressionados por taxa de administração e come-cotas – podem sofrer resgates. O título do governo recolhe IR só no saque, preservando o efeito dos juros compostos. Os R$ 309 bilhões hoje parados em depósitos à vista são outra fonte potencial de migração.
Historicamente, o Tesouro Direto demorou para ganhar massa: mesmo oferecendo rendimentos superiores à poupança, soma cerca de 2 milhões de investidores contra 32 milhões da caderneta. Se o Tesouro Reserva superar essa barreira “psicológica dos dois cliques”, a competição por liquidez deve apertar não apenas os grandes, mas também bancos que ainda pagam menos que 100% do CDI.
Como isso afeta o seu bolso? Se as instituições elevarem a taxa dos CDBs, o retorno dos seus investimentos de curto prazo pode melhorar, mas o crédito ao consumidor tende a ficar mais caro. Para acompanhar cada movimento, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Tesouro Nacional