Escalada do preço eleva cautela sobre juros e faz ADRs da Petrobras recuarem em NY
Brent — Às 9h30 (horário de Brasília), o barril para julho avançava 3,36%, a US$ 107,71, enquanto o WTI de junho ganhava 3,60%, a US$ 101,60. O salto, motivado pela retórica mais dura de Donald Trump contra o Irã, reacende o temor de inflação e mexe com ações ligadas a energia, inclusive os recibos da Petrobras negociados em Nova York.
- Em resumo: petróleo volta a três dígitos e acende alerta de novos choques de preços globais.
Tensão no Estreito de Ormuz alimenta prêmio de risco
A classificação da proposta iraniana de paz como “lixo” por Trump elevou o risco de bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, conforme destacou a Reuters. Washington também ampliou sanções a empresas que escoam óleo iraniano para a Ásia, espalhadas entre Hong Kong, Emirados Árabes e Omã.
“O cessar-fogo está em estado crítico”, afirmou o ex-presidente norte-americano, ao justificar a manutenção da “pressão máxima” sobre Teerã.
Inflação e juros entram no radar dos Bancos Centrais
A cotação acima de US$ 100 acontece justamente na semana em que saem o CPI norte-americano e o IPCA brasileiro. Historicamente, cada alta de 10% no Brent adiciona cerca de 0,2 ponto percentual à inflação anual dos EUA, segundo estimativas do mercado. Já no Brasil, o impacto recai sobre gasolina, frete e, por tabela, alimentos.
Os investidores, portanto, recalibram apostas para a próxima decisão do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro. Taxas futuras de juros, Treasuries e dólar respondem em alta, enquanto bolsas globais operam com volatilidade acima da média de 30 dias.
Como isso afeta o seu bolso? Se o petróleo permanecer nesse patamar, prepare-se para combustíveis mais caros e possível repasse na cadeia de consumo. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg