Lucro comprimido coloca plano de 100 novas lojas sob pressão
Grupo Pernambucanas – A varejista divulgou que sua margem Ebitda caiu de 9,9% em 2023 para apenas 1,8% em 2024, mesmo com receita estável em R$ 6,1 bilhões. A deterioração acende um sinal de alerta para investidores e consumidores que dependem do crediário da rede.
- Em resumo: rentabilidade caiu 82% em 12 meses, encurtando folga para financiar expansão e ofertas de crédito.
Do ranking nacional à rentabilidade mínima
Apesar de ocupar o 45º lugar na lista das 300 maiores varejistas, a Pernambucanas viu concorrentes diretas ampliarem participação de mercado. Dados compilados pelo Valor Econômico mostram que cadeias com omnichannel avançado registraram margem média superior a 6% em 2024.
“Velocidade de decisão é crítica no varejo; margens comprimidas reduzem munição para inovação”, observa Ivan Rizzo, da FIA Business School.
Crédito próprio vira faca de dois gumes
A operação financeira da companhia — capitaneada pela Pefisa — responde por parcela relevante do resultado. Juros mais altos até meados de 2024 aumentaram o custo de funding, enquanto a inadimplência do varejo superou 5%, segundo o Banco Central. Historicamente, redes que oferecem cartão e carnê elevam receita, mas ficam expostas à oscilação da Selic e à renda das famílias.
Para 2026, a gestão de cash flow depende do braço logístico recém-criado e de cortes de custos implantados pelo CEO Ricardo Doebeli. Caso a margem não reaja, analistas veem risco de revisão no plano de abrir mais de 100 lojas, projetado quando o Ebitda ainda superava 7%.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News