A regra rápida é esta: quem declara o Imposto de Renda no modelo completo costuma ganhar com o PGBL; quem usa o simplificado ou é isento se dá melhor com o VGBL. Os dois são planos de previdência privada, mas a forma como o imposto incide em cada um muda completamente quem deve escolher qual.

Errar essa escolha custa caro ao longo de vinte ou trinta anos. Acertar pode significar milhares de reais a mais na aposentadoria. Então vale entender a diferença antes de assinar qualquer proposta de banco.

A diferença que define tudo: o imposto

No PGBL, você pode abater as contribuições da base do Imposto de Renda, até 12% da sua renda bruta tributável no ano. Em troca, lá na frente o IR incide sobre todo o valor resgatado, não só sobre o rendimento.

No VGBL é o contrário. Você não abate nada agora, mas no resgate o imposto cai apenas sobre o rendimento, nunca sobre o que você aportou. Por isso ele combina com quem não tem o que deduzir.

PGBL ou VGBL: o quadro lado a lado

PGBLVGBL
Dedução no IRSim, até 12% da renda tributávelNão permite dedução
IR no resgate incide sobreTodo o valor (aportes + rendimento)Só o rendimento
Indicado paraDeclaração completaDeclaração simplificada ou isento
Proteção do FGCNão cobreNão cobre

Repare na última linha: nenhum dos dois tem FGC. A segurança vem das regras das seguradoras e da qualidade do fundo por trás do plano. O nome da instituição importa.

Exemplo em reais: quanto o PGBL economiza

Suponha uma renda tributável de R$ 100.000 no ano e declaração completa. Você pode aportar até 12% disso num PGBL, ou seja, R$ 12.000, e abater esse valor da base do imposto.

Duas pastas de documentos lado a lado com calculadora e caneta, comparacao entre PGBL e VGBL

Esse valor não some: ele volta para você e pode ser reinvestido. É a grande sacada do PGBL para quem declara completo. Quem usa o simplificado já tem um desconto padrão e não aproveitaria essa dedução, para essa pessoa, o VGBL evita pagar imposto sobre o que já era dela.

Como saber qual é o seu caso

Se você ainda tem dúvida sobre qual modelo de declaração usar, vale revisar como funciona o Imposto de Renda antes de fechar o plano.

A escolha da tabela: regressiva ou progressiva

Além de PGBL ou VGBL, você escolhe o regime de tributação. Na tabela regressiva, a alíquota cai com o tempo e chega a 10% depois de dez anos, a menor de toda a renda fixa. Na progressiva, vale a tabela do salário, com alíquotas de até 27,5%. Para dinheiro que vai ficar parado por muitos anos, a regressiva quase sempre vence.

Erros comuns que destroem a previdência

Vantagem extra: a sucessão

Há um benefício pouco comentado. Em geral, o dinheiro da previdência privada não entra em inventário: vai direto aos beneficiários que você indicar, com rapidez. Para quem pensa em deixar recursos para a família, é um ponto que pesa a favor desses planos.

Portabilidade: trocar de plano sem zerar o imposto

Escolher um plano hoje não é uma decisão para a vida toda. Se as taxas do seu plano estão altas ou a rentabilidade decepciona, a portabilidade permite levar o saldo para outra seguradora ou outro fundo sem resgatar, ou seja, sem pagar imposto no caminho. A carência costuma ser de sessenta dias entre uma portabilidade e outra, e a troca precisa respeitar o mesmo tipo de plano, PGBL para PGBL e VGBL para VGBL. É uma ferramenta poderosa e pouco usada. Em vez de aceitar um plano caro que o gerente empurrou, você pode migrar para um mais barato e manter todo o tempo de tabela regressiva já acumulado.

Quando a previdência privada não é para você

Ser honesto aqui importa. A previdência privada só compensa com horizonte longo, taxas baixas e disciplina de aporte. Se você pode precisar do dinheiro em dois ou três anos, a liquidez restrita e a tabela regressiva jogam contra. Se o plano cobra taxa de carregamento na entrada ou uma taxa de administração acima de 1% ao ano, boa parte do benefício fiscal evapora. E se você declara pelo modelo simplificado e não tem renda tributável relevante, o PGBL perde o seu principal atrativo. Nesses casos, um bom título atrelado à inflação ou uma carteira diversificada costumam entregar mais, com menos amarras.

Perguntas frequentes sobre PGBL e VGBL

Pote de moedas ao lado de casinha de madeira e capelo de formatura, planejamento de futuro e sucessao

VGBL é um bom investimento?

Pode ser, para o longo prazo, com taxas baixas e o perfil certo de declaração. Como produto de curto prazo ou com taxas altas, perde para um CDB simples.

Posso ter PGBL e VGBL ao mesmo tempo?

Pode. Muita gente usa o PGBL até o limite de 12% da renda e coloca o que sobra em um VGBL, aproveitando o melhor dos dois mundos.

Dá para mudar de plano depois?

Dá, pela portabilidade, sem pagar imposto na transferência. É o caminho para sair de um plano caro sem zerar o tempo da tabela regressiva.

Previdência privada rende quanto?

Depende do fundo escolhido e das taxas. Um plano barato de renda fixa pode render perto do CDI; um caro de banco, bem menos. As taxas são o que separa um bom plano de um ruim.

Afinal, PGBL ou VGBL: qual é o melhor para você?

Não há um vencedor universal. O melhor plano é o que conversa com a sua declaração de IR, tem taxas baixas e horizonte longo. Descubra primeiro como você declara, escolha PGBL ou VGBL a partir disso, fique na tabela regressiva e cace o plano mais barato. Acertando esses quatro pontos, a previdência privada trabalha a seu favor por décadas.

Conteúdo de caráter educativo, sem recomendação de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros; avalie seus objetivos e, se precisar, procure um profissional antes de decidir.

Fontes