O limite de faturamento do MEI é de R$ 81 mil por ano — algo como R$ 6.750 por mês, na média. Faturou dentro disso, está tudo certo. Passou, e começa a parte que muita gente só descobre quando já é tarde.
É que ultrapassar o teto não significa uma coisa só. Existe uma margem de tolerância e existe o desenquadramento, dois cenários bem diferentes, com contas bem diferentes. Entender a distinção antes de vender demais é o que separa quem cresce tranquilo de quem toma um susto no fim do ano.

Quanto o MEI pode faturar por ano
O teto é anual, não mensal. São R$ 81 mil somados ao longo do ano inteiro, e não importa como esse dinheiro se distribui pelos meses. Você pode faturar R$ 15 mil em dezembro por causa das festas e quase nada em fevereiro; o que conta é o total acumulado de janeiro a dezembro.
Há um detalhe para quem abriu a empresa no meio do ano. Nesse caso, o limite é proporcional aos meses de atividade. Quem formalizou o MEI em julho, por exemplo, tem seis meses de operação e um teto proporcional de cerca de R$ 40,5 mil até o fim daquele ano. A partir do ano seguinte, o limite cheio de R$ 81 mil passa a valer normalmente.
A margem de tolerância: até 20% a mais
Aqui está a informação que acalma muita gente. Se você estourar os R$ 81 mil mas ficar dentro de uma margem de 20% acima disso — ou seja, até cerca de R$ 97,2 mil — não é desenquadrado no meio do caminho.
Você continua como MEI até o fim daquele ano, mas paga um imposto sobre o valor que excedeu o teto, recolhido junto com o acerto anual. E, no ano seguinte, passa automaticamente a microempresa. É um pouso suave: você é avisado, paga a diferença e migra sem sobressaltos.
Passar de 20%: o desenquadramento que pega de surpresa
O problema é quando o faturamento estoura com folga, cruzando a marca dos R$ 97,2 mil.
Nesse cenário, o desenquadramento é retroativo. Na prática, a Receita passa a te tratar como microempresa desde o começo do ano (ou desde o mês em que o excesso apareceu), e os impostos são recalculados sobre todo o faturamento por essa régua mais cara. É aqui que mora a surpresa desagradável: o empreendedor achou que estava só vendendo bem e recebe uma conta retroativa que não esperava. Vender muito é ótimo; ser pego de calças curtas por isso, não.
O que muda quando você vira microempresa
Deixar o MEI para trás soa como perder um benefício, mas costuma ser o contrário. Virar ME significa que o negócio cresceu a ponto de não caber mais na caixinha do microempreendedor.
A partir daí, a tributação passa a ser pelo Simples Nacional, calculada por faixas de faturamento, e você provavelmente vai precisar de um contador para tocar as obrigações. Em troca, ganha limites muito maiores, pode ter mais funcionários e abre portas comerciais que o MEI não alcança. Muda o patamar, muda a responsabilidade.
Faturamento não é lucro, e confundir isso custa caro
Esse é o mal-entendido que mais atrapalha o planejamento. O limite do MEI mede o que entra, a receita bruta, e não o que sobra no seu bolso no fim do mês.
Pense em quem revende produtos com margem apertada: essa pessoa pode faturar os R$ 81 mil e ter lucrado uma fração disso, porque a maior parte foi pagar fornecedores. Já um prestador de serviço, que quase não tem custo de mercadoria, fatura menos e leva mais para casa. Por isso o teto aperta primeiro quem trabalha com revenda e volume. Saber a diferença entre girar dinheiro e ganhar dinheiro é o que evita comemorar um faturamento que, no fundo, rendeu pouco.
Como acompanhar o faturamento e nunca ser pego de surpresa
A boa notícia é que evitar todo esse drama é simples. Basta acompanhar o acumulado do ano, mês a mês, em vez de olhar só para o caixa da semana.
- Anote ou registre todas as vendas, com e sem nota, e some o total corrido do ano.
- Marque mentalmente o meio do caminho: passou de R$ 40 mil na metade do ano? O ritmo pode estourar o teto.
- Se perceber que vai ultrapassar, decida com antecedência se segura o pé, guarda a diferença do imposto ou já planeja a migração para ME.
- Separe uma reserva do próprio negócio para eventuais acertos, em vez de gastar tudo o que entra.
Esse acompanhamento também facilita a vida na hora da declaração anual e no controle da nota fiscal. Se você ainda está começando e nem abriu a empresa, vale ver antes o passo a passo de como abrir um MEI e já nascer com o controle organizado.
Limite de faturamento do MEI: o que levar deste guia
A linha está nos R$ 81 mil por ano. Até 20% acima dela, você paga a diferença e migra para microempresa no ano seguinte, sem drama. Acima disso, o desenquadramento é retroativo e a conta chega mais salgada. A defesa é uma só, e é barata: acompanhar o acumulado mês a mês. Estourar o teto é um sinal de que o negócio deu certo — só não pode virar surpresa.
E o MEI Caminhoneiro? O limite é maior
Existe uma categoria especial, o MEI Caminhoneiro, criada para o transportador autônomo de carga. Como o faturamento desse ramo é naturalmente mais alto — combustível, manutenção e pedágios comem boa parte da receita —, o teto foi ampliado, hoje na casa dos R$ 251 mil por ano. As demais regras seguem a mesma linha, mas o limite reconhece a realidade de quem vive na estrada. Se você é caminhoneiro, é essa a modalidade que faz sentido, não o MEI comum.
Estourei o teto: e agora, na prática?
Se você percebeu que passou, mas dentro dos 20% de tolerância, não precisa entrar em pânico. Continue emitindo suas notas normalmente e, no acerto anual pela DASN, declare o valor que excedeu e recolha o imposto sobre ele por uma guia específica. É um ajuste, não uma punição.
Se o estouro foi maior que 20%, o caminho é procurar um contador o quanto antes, porque o desenquadramento retroativo exige recalcular os tributos como microempresa. Em qualquer um dos casos, o pior que você pode fazer é ignorar: a Receita cruza as informações das suas notas com o seu CNPJ, e fingir que não viu apenas engorda a conta com juros e multa.
Vale a pena segurar vendas para continuar MEI?
Se você vive raspando o teto todos os anos, talvez já seja hora de planejar a transição para microempresa, em vez de frear o negócio de propósito para caber no limite. Recusar faturamento para continuar MEI raramente compensa: você troca crescimento real por uma economia de imposto que, na conta final, costuma ser menor do que parece. Crescer e pagar um pouco mais de tributo é, quase sempre, o melhor problema que um empreendedor pode ter.
Perguntas frequentes
Qual é o limite de faturamento do MEI?
Hoje o teto é de R$ 81 mil por ano, o equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês. Quem abre a empresa no meio do ano tem um limite proporcional aos meses de atividade.
O que acontece se eu ultrapassar o limite do MEI?
Depende de quanto. Até 20% acima (cerca de R$ 97,2 mil), você paga imposto sobre o excedente e migra para microempresa no ano seguinte. Acima disso, o desenquadramento é retroativo e os impostos são recalculados como ME.
O limite do MEI é mensal ou anual?
É anual. A média mensal de R$ 6.750 serve só de referência; o que vale é a soma de tudo o que você faturou de janeiro a dezembro.
Faturamento é a mesma coisa que lucro?
Não. Faturamento é todo o dinheiro que entra com as vendas; lucro é o que sobra depois de pagar custos e despesas. O limite do MEI olha para o faturamento, não para o lucro.
Conteúdo informativo. Limites, regras e valores citados são atualizados periodicamente; confirme sempre nos canais oficiais antes de decidir.
