Mercado questiona fôlego financeiro do grupo apesar do EBITDA recorde
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e CSN Mineração divulgaram, recentemente, seus números do 1T26 e, embora o resultado operacional tenha superado o consenso, a queima de caixa livre gerou imediata pressão vendedora sobre as ações na B3.
- Em resumo: juntas, as duas empresas queimaram R$ 3,5 bilhões em caixa livre, derrubando CSNA3 e CMIN3 em até 3% às 10h34.
EBITDA surpreende, mas mercado mira dívida de R$ 4 bi que vence em 2026
O EBITDA consolidado atingiu R$ 4 bilhões, ligeiramente acima das projeções de analistas, segundo relatório do JPMorgan. Entretanto, a Reuters destaca que o fluxo de caixa livre negativo mina a confiança num momento em que a holding tem cerca de R$ 4 bilhões a vencer já no próximo ano.
“O balanço patrimonial da CSN continua sendo o principal ponto de atenção dos investidores”, reforçou o Goldman Sachs em nota distribuída após o anúncio dos resultados.
Contexto: de onde vem a pressão e por que ela pode durar
Historicamente, períodos de investimentos pesados em capacidade — como o projeto P15 na mineradora — costumam ampliar a alavancagem. Nos últimos 12 meses, a dívida líquida do grupo cedeu marginalmente para R$ 40,5 bi, mas segue elevada frente à média do setor siderúrgico nacional, que gira em torno de 2,5 vezes o EBITDA, segundo dados públicos da B3.
Além disso, a expectativa de juros altos no Brasil até, pelo menos, o fim de 2026 encarece a rolagem de passivos. A potencial alienação de ativos, avaliada entre R$ 15 bi e R$ 18 bi, permanece, portanto, no radar como catalisador decisivo para aliviar a estrutura de capital.
Como isso afeta o seu bolso? Se a companhia acelerar a venda de ativos ou melhorar a geração de caixa, o prêmio de risco sobre seus papéis pode diminuir — e isso respinga em fundos de ações e índices que carregam CSNA3 e CMIN3. Para acompanhar a cobertura completa do setor, acesse nossa editoria de Economia & Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS