Para calcular o reajuste de aluguel, multiplique o valor atual pelo índice acumulado em 12 meses previsto no contrato. Se o contrato usa o IGP-M e o acumulado é de 3,34%, um aluguel de R$ 2.000 passa para R$ 2.066,80 (2.000 × 1,0334). Esse é o número de setembro de 2026 divulgado pela FGV, que serve de base para os contratos com aniversário em outubro. O reajuste só pode ser aplicado uma vez por ano, na data de aniversário do contrato.
O IGP-M voltou a chamar atenção porque subiu 1,57% só em setembro, depois de dois meses de queda. Quem tem contrato vencendo nos próximos meses precisa acompanhar o índice de perto, e quem vai assinar um contrato novo deve prestar atenção em qual indicador está escrito na cláusula de reajuste.
O que é o IGP-M e por que ele reajusta o aluguel
O IGP-M é o Índice Geral de Preços do Mercado, calculado todo mês pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Ele ficou conhecido como a inflação do aluguel porque, por décadas, foi o indicador padrão dos contratos de locação. A lei não obriga o uso dele. A Lei do Inquilinato deixa as partes livres para escolher o índice, desde que o reajuste não seja atrelado ao salário mínimo nem à variação cambial.
O índice é formado por três componentes:
| Componente | Peso | O que mede |
| IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo) | 60% | Preços no atacado: commodities agrícolas, minério, combustíveis e insumos industriais |
| IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor) | 30% | Preços no varejo para as famílias |
| INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) | 10% | Materiais, equipamentos e mão de obra da construção |
Como 60% do IGP-M vem do atacado, ele reage com força ao dólar e ao preço das commodities. Por isso é muito mais volátil que o IPCA, que mede só o consumo das famílias. Em 2020 e 2021, o IGP-M passou de 30% em 12 meses e provocou uma onda de renegociações. Em 2023 e de novo no começo de 2026, ficou negativo. Para entender esse vaivém, ajuda ler sobre quem ganha e quem perde com o dólar alto e sobre a inflação no Brasil em 2026.
IGP-M acumulado em 2026
Os números abaixo são os divulgados pela FGV. O que vale para o seu contrato é o acumulado dos 12 meses anteriores ao mês de aniversário.

| Mês de referência | Variação no mês | Acumulado em 12 meses |
| Abril de 2026 | 2,73% | 0,61% |
| Maio de 2026 | 0,84% | 1,95% |
| Junho de 2026 | -0,50% | 3,16% |
| Julho de 2026 | -1,16% | 2,76% |
| Agosto de 2026 | -0,22% | 2,16% |
| Setembro de 2026 | 1,57% | 3,34% |
No ano, até setembro, o índice acumula alta de 3,45%. Um ano antes, em setembro de 2025, o acumulado em 12 meses era de 2,82%.
Como calcular o reajuste de aluguel passo a passo
- Abra o contrato e localize a cláusula de reajuste. Ela informa o índice (IGP-M, IPCA, INPC ou outro) e a data-base.
- Identifique o mês de aniversário. É o mês em que o contrato foi assinado, e não o mês de janeiro.
- Busque o índice acumulado nos 12 meses encerrados no mês anterior ao aniversário.
- Transforme o percentual em fator: divida por 100 e some 1. Para 3,34%, o fator é 1,0334.
- Multiplique o aluguel atual pelo fator. O resultado é o novo valor, que vale a partir do mês de aniversário.
| Aluguel atual | Reajuste de 3,34% (IGP-M) | Aumento mensal | Aumento em 12 meses |
| R$ 1.200 | R$ 1.240,08 | R$ 40,08 | R$ 480,96 |
| R$ 2.000 | R$ 2.066,80 | R$ 66,80 | R$ 801,60 |
| R$ 3.500 | R$ 3.616,90 | R$ 116,90 | R$ 1.402,80 |
| R$ 5.000 | R$ 5.167,00 | R$ 167,00 | R$ 2.004,00 |
O reajuste incide apenas sobre o aluguel. Condomínio e IPTU seguem regras próprias: o condomínio muda por decisão de assembleia e o IPTU, pela prefeitura. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, faz a correção por IGP-M e por IPCA sem custo, basta informar as datas e o valor.
O que diz a Lei do Inquilinato sobre o reajuste
- Periodicidade mínima de um ano. A legislação do Plano Real proíbe reajuste em prazo inferior a 12 meses. Cláusula de aumento semestral é nula.
- Liberdade de índice. As partes escolhem o indicador, mas não podem usar salário mínimo nem moeda estrangeira.
- Só vale o que está no contrato. O proprietário não pode trocar de índice sozinho no meio da locação nem aplicar percentual acima do previsto.
- Acordo a qualquer momento. O artigo 18 permite que locador e inquilino fixem um novo valor de comum acordo, para cima ou para baixo.
- Revisão judicial após três anos. Sem acordo, qualquer das partes pode pedir a revisão do aluguel na Justiça para ajustá-lo ao preço de mercado, depois de três anos de contrato ou do último acordo.
IGP-M ou IPCA: qual índice é melhor no contrato de aluguel
Depois do susto de 2021, boa parte do mercado migrou para o IPCA, o índice oficial de inflação calculado pelo IBGE. Ele acompanha melhor a evolução da renda de quem paga o aluguel, porque mede os preços ao consumidor.
| Critério | IGP-M | IPCA |
| Quem calcula | FGV IBRE | IBGE |
| O que pesa mais | Preços no atacado e commodities | Consumo das famílias |
| Sensibilidade ao dólar | Alta | Moderada |
| Volatilidade | Alta, com picos e períodos negativos | Mais estável |
| Previsibilidade para o orçamento | Baixa | Maior |
Para o inquilino, o IPCA tende a ser a escolha mais segura. Para o proprietário, a previsibilidade também ajuda: reajuste fora da realidade aumenta o risco de inadimplência e de imóvel vazio. Um modelo que vem ganhando espaço prevê o uso do menor índice entre os dois, ou um teto para o reajuste anual.

E se o IGP-M ficar negativo?
Se o acumulado de 12 meses for negativo e o contrato disser apenas que o aluguel será reajustado pela variação do índice, a leitura mais direta é de que o valor deve cair. Muitos contratos, porém, trazem uma cláusula dizendo que o reajuste só se aplica quando a variação for positiva. Nesse caso, o aluguel fica como está. Vale ler essa linha antes de assinar e, se ela existir, tentar negociar a retirada.
Como negociar o reajuste de aluguel com o proprietário
- Antecipe-se. Procure o proprietário ou a imobiliária uns 60 dias antes do aniversário do contrato.
- Leve dados: anúncios de imóveis parecidos na mesma região mostram se o valor reajustado ficou acima do mercado.
- Mostre o seu histórico. Pagamento em dia e imóvel bem cuidado valem dinheiro para quem aluga.
- Proponha alternativas: trocar o índice para o IPCA, aplicar o menor entre os dois, dividir o aumento em etapas ou estender o prazo do contrato em troca de um reajuste menor.
- Formalize tudo em um aditivo assinado pelas duas partes. Acordo verbal não protege ninguém.
Faça também a conta do seu lado. Especialistas em orçamento costumam sugerir que a moradia não passe de 30% da renda líquida. Se o novo valor estoura esse limite, é hora de rever o plano com a ajuda de um roteiro para organizar as finanças pessoais. E quem está cansado de reajustes pode comparar o custo de continuar alugando com as alternativas de compra, como o consórcio de imóvel, o financiamento nas tabelas SAC ou Price e o uso do FGTS na compra do imóvel.
Reajuste de aluguel pelo IGP-M: o que conferir antes de pagar o boleto
- O mês do reajuste coincide com o aniversário do contrato?
- O índice usado é o que está escrito na cláusula?
- O percentual corresponde ao acumulado de 12 meses divulgado pela fonte oficial?
- O reajuste foi aplicado só sobre o aluguel, sem incluir condomínio e IPTU?
- Já se passaram pelo menos 12 meses desde o último reajuste?
Se alguma resposta for não, peça a correção por escrito à imobiliária ou ao proprietário antes do vencimento. Na maioria das vezes é erro de cálculo e se resolve com uma mensagem.
Conteúdo de caráter educativo e informativo, sem consultoria jurídica, contábil ou financeira. Regras, valores, taxas e alíquotas mudam com o tempo, inclusive por decreto ou lei; confirme os dados atualizados nas fontes oficiais e, se precisar, procure um profissional habilitado antes de decidir.