Mercado monitora se a moderação prometida conterá prêmios de risco
Supremo Tribunal Federal (STF) – Em reunião recente, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou-se ao presidente Edson Fachin e garantiu que adotará um “perfil centrado” e “mais propositivo” até, pelo menos, setembro de 2027, quando Alexandre de Moraes deverá assumir a Corte. A sinalização foi recebida por agentes do mercado como possível redução do risco institucional, fator que costuma encarecer juros futuros e pressionar o câmbio.
- Em resumo: Flávio busca afastar atritos com o STF, tentando diminuir volatilidade política que afeta investimentos.
Promessa de moderação mira prêmio de risco menor para ativos locais
Historicamente, episódios de tensão entre Poderes elevam o CDS brasileiro e provocam fuga de capital estrangeiro. Em 2022, por exemplo, o contrato de cinco anos saltou 31 pontos-base em semanas marcadas por choques entre Planalto e Judiciário, segundo dados da Reuters. Ao enfatizar diálogo “olho no olho” com Fachin, Flávio tenta sinalizar que um eventual governo sob sua liderança não reproduzirá esse padrão.
“Foi uma conversa amistosa […] e eu quero ser mais propositivo do que reagir a provocações”, afirmou o senador após o encontro no STF.
Ruído institucional já custou até 10% ao Ibovespa em 12 meses
Levantamento da B3 mostra que, de agosto de 2021 a agosto de 2022, o Ibovespa perdeu cerca de 10 % em janelas logo após declarações de conflito entre Executivo e Judiciário. O movimento puxou também o dólar para acima de R$ 5,70 no pico do stress. Ao garantir “relação respeitosa” com o Supremo, Flávio tenta convencer investidores de que o cenário, desta vez, poderá ser menos turbulento – pelo menos enquanto Fachin permanecer no comando.
Ainda assim, incertezas seguem no radar: a troca de presidência no STF em 2027, citada pelo senador, recoloca Alexandre de Moraes no centro do tabuleiro. Caso antigos atritos reapareçam, analistas alertam que o prêmio de risco pode voltar a subir rapidamente.
Como isso afeta o seu bolso? Menos ruído político tende a baratear crédito, reduzir volatilidade de ações e segurar o dólar. Para mais análises sobre risco institucional e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / STF