Para saber como criar um QR Code para receber Pix, o caminho é curto: abra a área Pix do aplicativo do seu banco, toque em Receber, escolha uma das suas chaves e gere o código. Valor e identificador são opcionais. Em menos de um minuto você tem uma imagem para mostrar na tela, imprimir ou enviar por mensagem.
O que muda de um caso para outro é o tipo de código. Quem recebe de vez em quando resolve com o QR Code estático, feito no próprio aplicativo. Quem vende todo dia e precisa saber qual cliente pagou qual pedido acaba chegando ao QR Code dinâmico. As regras abaixo vêm dos manuais do Banco Central que fazem parte do Regulamento do Pix, lidos na versão 2.10.0 (padrões de iniciação) e na versão 7.3 (experiência do usuário).
O que é o QR Code do Pix
O QR Code do Pix é uma imagem que guarda os dados necessários para iniciar um pagamento. Ele segue o BR Code, o padrão adotado no Brasil para códigos de pagamento. Quando o pagador aponta a câmera do aplicativo para a imagem, o banco dele lê a chave, consulta de quem ela é e mostra a tela de confirmação.
Todo QR Code de recebimento depende de uma chave Pix cadastrada. Sem chave, não há como direcionar o dinheiro para a sua conta. Se você ainda não tem nenhuma, o aplicativo deve avisar e levar você para a tela de cadastro. Para quem não quer expor CPF, celular ou e-mail em um cartaz, a chave aleatória gerada pelo banco costuma ser a escolha mais discreta.
QR Code estático e dinâmico: qual é a diferença
Segundo o Manual de Padrões para Iniciação do Pix, do Banco Central, o QR Code estático tem um conjunto restrito de funções e carrega todos os dados dentro da própria imagem. O dinâmico guarda apenas um endereço eletrônico, que o aplicativo do pagador acessa no momento da leitura para buscar os dados da cobrança.
| Característica | QR Code estático | QR Code dinâmico |
|---|---|---|
| Onde ficam os dados | Dentro da própria imagem | Em um endereço consultado na leitura |
| Informação obrigatória | Chave Pix | Endereço da cobrança, ligado a uma chave Pix |
| Valor | Opcional; sem valor, quem paga digita | Vem da cobrança criada pelo recebedor |
| Identificador da transação | Opcional, até 25 letras e números | Obrigatório, de 26 a 35 caracteres |
| Como se cria | No aplicativo do banco ou em sistema próprio | Pela API Pix ou pelo aplicativo do banco, quando ele tem essa função |
| Prazo e encargos | Não tem | Aceita prazo de validade, vencimento, juros e multa |
| Uso típico | Pequeno volume de vendas, cartaz no caixa | Volume médio ou alto, loja online, mensalidades |
O manual descreve ainda um terceiro tipo, o QR Code composto, que junta os dados de pagamento com os de uma cobrança recorrente. Ele serve a empresas que trabalham com assinatura e não é assunto para quem só quer receber de clientes no balcão.
Passo a passo para criar o QR Code no aplicativo
Os nomes dos botões mudam de um banco para outro, mas o roteiro é o mesmo, porque o Banco Central fixa requisitos mínimos para a tela de recebimento. O documento exige, por exemplo, que a opção Receber Pix fique em destaque e de fácil acesso.
- Abra o aplicativo do seu banco ou conta digital e entre na área Pix.
- Toque em Receber Pix (em alguns aplicativos aparece como Cobrar ou Gerar QR Code).
- Escolha a chave que vai receber o dinheiro: celular, e-mail, CPF ou CNPJ, ou chave aleatória.
- Preencha o valor, se quiser cobrar uma quantia fechada. Deixando em branco, o pagador digita o valor na hora.
- Preencha o identificador, se quiser reconhecer o pagamento depois no extrato. O campo aceita até 25 caracteres.
- Confirme. O aplicativo mostra a imagem do QR Code.
- Use as opções da tela final: salvar a imagem no celular, compartilhar ou copiar o código no formato Pix Copia e Cola.
Um detalhe que passa despercebido: tudo o que você preenche fica visível para quem lê o código. O manual de experiência do usuário manda o banco avisar disso na hora da criação. Então evite escrever no identificador qualquer coisa que você não queira que o cliente leia.

Quando preencher valor e identificador
Os dois campos são opcionais, e a combinação escolhida muda a rotina de quem recebe. Imagine que você vende bolos de pote em uma feira e todos custam o mesmo preço. Um código com valor fixo evita erro de digitação do cliente. Se os preços variam, o código sem valor é mais prático, porque um único cartaz atende todas as vendas.
O identificador existe para a conciliação, que é o trabalho de ligar cada crédito no extrato a uma venda. Na prática, dá para criar um código por produto, por ponto de venda ou por vendedor e ver depois quanto entrou em cada um. O próprio Banco Central faz a ressalva: com um código fixo, todas as transações chegam com o mesmo identificador, e a capacidade de separar um pagamento do outro fica limitada.
| Situação | Configuração indicada no manual | Limite |
|---|---|---|
| Poucas vendas, preços variados | Estático fixo, sem valor | Cliente digita o valor; conferência manual no aplicativo |
| Produto padronizado, preço único | Estático fixo, com valor | Um código para cada preço |
| Pequeno negócio que precisa separar cada venda | Estático gerado no ato, com identificador único | Exige sistema que gere os códigos |
| Vendas em volume ou pela internet | Dinâmico de pagamento imediato | Exige integração com a API Pix do banco |
| Mensalidade ou conta com data para pagar | Dinâmico com vencimento | Exige integração e cadastro da cobrança |
Pix Copia e Cola: o mesmo código em forma de texto
O celular que lê o QR Code é o mesmo que mostra a imagem quando o cliente compra pelo navegador ou recebe a cobrança por mensagem. Ninguém consegue apontar a câmera para a própria tela. Para esses casos existe o Pix Copia e Cola.
Ele é a mesma sequência de caracteres que o leitor extrairia da imagem, entregue como texto. O cliente copia, abre o aplicativo do banco dele, escolhe Pix Copia e Cola e cola o código. A função vale para o QR Code estático, o dinâmico e o composto. Se você cobra por aplicativo de mensagens, mande a imagem e o texto juntos: quem está no computador lê a imagem com o celular, e quem está no celular usa o texto.
O que o pagador vê antes de confirmar
Antes de concluir o pagamento, o aplicativo do cliente mostra os dados do dono da chave: nome, CPF com parte dos números ocultos (ou CNPJ completo, no caso de empresa) e o valor lido do código, quando houver. Agência e número da conta não aparecem. No caso de CNPJ, o nome exibido é o nome fantasia, se existir; sem ele, aparece a razão social.
O nome que aparece vem do cadastro da chave no Banco Central, não do que foi escrito no código. Por isso, quem formalizou o negócio e quer que o cliente veja a marca na tela precisa de uma chave ligada à conta da empresa. Se esse é o seu próximo passo, o guia sobre abrir o MEI pelo Portal do Empreendedor mostra o caminho até o CNPJ.
O pagador pode cancelar a operação nessa tela, mas não consegue alterar os dados lidos do QR Code. O valor só fica editável quando o código foi criado sem valor.
Quando o QR Code dinâmico compensa
O QR Code dinâmico é a base do que os bancos chamam de Pix Cobrança. Ele foi desenhado para comércios com volume médio ou alto de vendas e para lojas online. O sistema do lojista pede ao banco a criação de uma cobrança, recebe os dados, exibe o código e consulta em seguida se aquele pagamento específico foi liquidado.
Três recursos explicam a escolha:
- Identificador único por cobrança. Cada venda tem o seu, e o sistema sabe qual pedido foi pago sem ninguém olhar extrato.
- Prazo de validade. Na cobrança de pagamento imediato, quando o recebedor não define outro prazo, o padrão é de 86.400 segundos, o equivalente a 24 horas contadas da criação.
- Cobrança com vencimento. O recebedor informa data de vencimento, juros, multa e abatimentos, e o aplicativo do pagador calcula o valor final na leitura.
A criação do dinâmico passa pela API Pix do banco, a não ser quando o próprio aplicativo da instituição tem um fluxo para gerar esse tipo de código. Cada banco decide quais clientes têm acesso e quanto cobra pelo serviço. Antes de contratar, leia a tabela de serviços da sua conta, como explicado no texto sobre tarifas de conta e pacotes de serviços.
Para quem emite documento fiscal a cada venda, o identificador da cobrança ajuda a casar o recebimento com a nota. A rotina de emissão está descrita no artigo sobre nota fiscal de quem é microempreendedor.

Como conferir se o Pix caiu
Comprovante na tela do cliente não é prova de crédito. A prova é o que aparece na sua conta. Pelas regras do Banco Central, nas transações com QR Code o recebedor deve ser notificado assim que a transação é concluída, e a forma do aviso (mensagem no aplicativo, por exemplo) fica a critério de cada banco.
Com código estático fixo, a rotina sugerida no manual é simples: abrir a lista de Pix recebidos, olhar o último crédito e conferir o valor antes de liberar a mercadoria. Vale reforçar a regra com quem atende no balcão, porque comprovante adulterado é uma das fraudes descritas no nosso levantamento dos golpes mais aplicados contra consumidores e lojistas.
Cuidados antes de imprimir e divulgar o código
Um QR Code estático não vence. Ele continua válido enquanto a chave existir e apontar para a mesma conta. Isso é cômodo e pede atenção em quatro momentos:
- Antes de imprimir. Leia o código com outro celular e confirme se aparecem o seu nome e o valor certo.
- Com o cartaz na parede. Verifique de tempos em tempos se ninguém colou outro código por cima. O cliente que confere o nome na tela ajuda nessa defesa.
- Ao trocar de banco. Se a chave for levada para outra instituição, o código continua funcionando e o dinheiro passa a cair na conta nova. Se a chave for excluída, o código deixa de funcionar.
- Ao receber um Pix por engano. Devolva pela função de devolução do aplicativo, dentro do próprio Pix recebido, e nunca por uma transferência nova.
Limites de valor, horário noturno e a devolução em caso de fraude seguem as regras gerais do sistema, reunidas no guia sobre o funcionamento do Pix e seus limites. Os manuais citados aqui são revisados com frequência: a versão 7.3 dos requisitos de experiência do usuário é de dezembro de 2025, e o Banco Central já publicou a versão 7.4, com vigência a partir de 1º de março de 2027. Telas e nomes de botões podem mudar.
Fontes
- Banco Central do Brasil, Manual de Padrões para Iniciação do Pix (versão 2.10.0)
- Banco Central do Brasil, Requisitos Mínimos para a Experiência do Usuário do Pix (versão 7.3)
- Banco Central do Brasil, página do Pix
Conteúdo de caráter educativo e informativo, sem consultoria jurídica, contábil ou financeira. Regras, valores, taxas e alíquotas mudam com o tempo, inclusive por decreto ou lei; confirme nas fontes oficiais e, se precisar, procure um profissional habilitado antes de decidir. Investir envolve riscos e rentabilidade passada não garante resultado futuro.