Para abrir conta conjunta, todos os titulares precisam passar pela identificação do banco, apresentar documento com foto e CPF e escolher, no contrato, se a conta será solidária (cada um movimenta sozinho) ou não solidária (toda operação exige os dois). Quem procura como abrir conta conjunta costuma pensar só na papelada, mas é essa escolha de modalidade que decide o dia a dia da conta e o tamanho do risco que cada pessoa assume.

A seguir você vê as duas modalidades lado a lado, o passo a passo de abertura no aplicativo ou na agência, o que o segundo titular pode e não pode fazer e três situações em que a conta conjunta pesa no bolso de quem não esperava: cheque devolvido, bloqueio de saldo e falência do banco.

O que é uma conta conjunta e quem pode abrir

Conta conjunta é uma conta de depósitos com dois ou mais titulares no mesmo contrato. Casais, pais e filhos maiores, irmãos que dividem despesas de um familiar e sócios informais de uma reforma em casa são os usos mais comuns. Todos os titulares aparecem no contrato e nos extratos, e o dinheiro depositado ali fica, aos olhos do banco, disponível para quem o contrato autorizar.

Há um limite claro na lei: empresa não entra nesse arranjo. A Lei 10.892, de 2004, determina que, no caso de pessoas jurídicas, as contas correntes de depósito não podem ser conjuntas. Por isso a conta conjunta é sempre um produto de pessoa física.

Muitos bancos digitais trabalham só com conta individual. Antes de escolher a instituição, vale comparar as opções em um guia sobre quando a conta digital compensa, porque a oferta de conta conjunta varia bastante entre bancos tradicionais e digitais.

Conta conjunta solidária ou não solidária: a diferença na prática

As duas modalidades têm o mesmo nome no extrato, mas funcionam de jeitos opostos. Na solidária, qualquer titular faz Pix, paga boleto, saca e contrata serviços sem pedir licença ao outro. Na não solidária, as movimentações exigem a participação de todos, o que traz mais controle e muito menos agilidade.

Ponto de comparaçãoConta conjunta solidáriaConta conjunta não solidária
MovimentaçãoCada titular movimenta sozinhoOperações exigem todos os titulares
Uso no dia a diaÁgil: Pix, cartão e boletos sem esperar o outroLenta: cada transação depende de aprovação conjunta
Débito automático do IRAceita pela Receita FederalNão aceita
Controle sobre o saldoBaixo: um titular pode esvaziar a contaAlto: nenhum titular age sozinho
Perfil que costuma escolherCasais e famílias com despesas comunsGrupos que guardam dinheiro para um fim específico

O débito automático é um bom exemplo do impacto prático. A página da Receita sobre débito automático do imposto de renda informa que, quando se trata de conta conjunta, ela deve ser do tipo solidária. Quem escolhe a não solidária perde essa facilidade na hora de pagar as quotas do IR.

Mulher sentada à mesa de casa lendo o contrato de abertura de conta conjunta com uma caneta na mão

Como abrir conta conjunta passo a passo

O roteiro abaixo vale para a maioria dos bancos. Os nomes das telas mudam, mas a lógica se repete, seja na agência ou no aplicativo.

  1. Confirme se o banco oferece conta conjunta. Pergunte também se a modalidade solidária e a não solidária estão disponíveis, porque alguns oferecem só uma delas.
  2. Separe os documentos de cada titular. Em geral o banco pede documento oficial com foto, CPF e comprovante de residência atualizado de todos, além de dados de renda.
  3. Inicie a abertura pelo primeiro titular. No aplicativo, a opção costuma aparecer como incluir cotitular ou abrir conta conjunta. Na agência, todos precisam estar presentes ou com cadastro concluído.
  4. Inclua e valide o segundo titular. Ele passa pela mesma identificação: foto do documento, selfie ou biometria e confirmação de dados. As regras do Banco Central exigem que o banco identifique e qualifique cada titular.
  5. Escolha a modalidade e leia o contrato. Procure as cláusulas sobre movimentação, cheque, encerramento e tarifas. Se não estiver escrito que a conta é solidária, pergunte.
  6. Defina senhas e cartões. Cada titular costuma ter senha e cartão próprios. Verifique se os limites de Pix e de cartão valem por pessoa ou para a conta inteira.
  7. Ative a conta e guarde a cópia do contrato. Baixe o PDF ou peça a via impressa. Ela será útil se houver dúvida futura sobre o tipo da conta.

Antes de assinar, olhe o pacote de serviços. Tarifas de conta conjunta seguem as mesmas regras das demais contas, e dá para cortar custos com as dicas do texto sobre como reduzir ou zerar tarifas bancárias.

Conta conjunta digital: o que muda no aplicativo

Na conta conjunta digital, a abertura é toda feita pelo celular, mas cada titular precisa do próprio cadastro e do próprio aparelho autorizado. Na prática, o primeiro titular envia o convite e o segundo aceita pelo aplicativo dele, conclui a biometria e só então a conta passa a existir com os dois nomes.

Os limites de Pix merecem atenção. Cada titular pode ter limites próprios configurados no aplicativo, e o horário noturno costuma ter teto menor. O texto sobre limites e funcionamento do Pix explica como ajustar esses valores e quanto tempo o banco leva para aumentar o teto.

Quais os direitos do segundo titular de conta conjunta

A dúvida sobre quais os direitos do segundo titular de conta conjunta aparece muito quando o primeiro titular é quem abriu a conta e deposita a maior parte do dinheiro. Para o banco, os dois são titulares. O que muda é a modalidade escolhida no contrato.

Imagine que dois irmãos abrem uma conta solidária para pagar o aluguel da mãe. Um deles deposita R$ 2.000 todo mês e o outro, R$ 500. Mesmo assim, qualquer um dos dois pode transferir o saldo inteiro para outra conta. O contrato com o banco não registra quem colocou quanto, e é por isso que combinados por escrito entre os titulares ajudam a evitar briga depois.

Riscos que os titulares dividem: cheque, bloqueio e FGC

Cheque devolvido

Se um cheque da conta voltar por falta de fundos, quem vai para o cadastro de emitentes de cheques sem fundos é quem assinou. A regra está no art. 12 da resolução do CMN sobre cheques aprovada em 2023, que restringe a inclusão ao emitente quando o cheque sai de conta conjunta. Isso protege o outro titular do registro, mas não do saldo negativo, que continua sendo da conta.

Se a dívida virar negativação, os passos para tirar o nome do Serasa e do SPC valem para cada titular envolvido.

Bloqueio de saldo por dívida de um titular

Uma ordem judicial contra um dos titulares pode alcançar o saldo da conta conjunta. Quanto do dinheiro pertence a cada pessoa é uma discussão que costuma ser resolvida no próprio processo, com extratos e comprovantes de depósito. Se você divide conta com alguém que tem dívidas em cobrança, guarde os comprovantes do que depositou e procure orientação jurídica ao primeiro sinal de bloqueio.

Cobertura do FGC dividida entre os titulares

O regulamento do FGC, publicado na Resolução 4.469, de 2016, fixa a cobertura em R$ 250 mil por pessoa em cada instituição ou conglomerado. Nas contas conjuntas, esse limite (ou o saldo, se for menor) é dividido pelo número de titulares.

SimulaçãoSaldo na conta conjuntaTitularesCobertura por titular
Casal com reserva médiaR$ 80 mil2R$ 40 mil
Casal com saldo acima do tetoR$ 300 mil2R$ 125 mil
Três irmãosR$ 300 mil3cerca de R$ 83,3 mil

A simulação considera só a conta conjunta. Se um dos titulares tiver outros depósitos cobertos no mesmo banco, a soma conta para o limite individual dele, então quem guarda valores altos costuma distribuir o dinheiro entre instituições. Para montar um colchão com essa lógica, o guia sobre onde guardar a reserva de emergência ajuda a pensar nas opções. Os valores e regras do FGC podem mudar, então verifique o limite vigente antes de decidir.

Pote de vidro com moedas e cédulas de real, duas chaves e um celular com escudo de segurança na tela

Antes de assinar: checklist para quem vai dividir a conta

Contas com mais de um titular também são alvo de golpes que exploram a confiança entre familiares, como o falso pedido de transferência por mensagem. Os sinais mais comuns estão reunidos no guia de golpes financeiros e formas de proteção.

Se a ideia for trocar de banco depois, a portabilidade bancária permite levar salário e relacionamento sem fechar tudo de uma vez.

Fontes

Conteúdo de caráter educativo e informativo, sem consultoria jurídica, contábil ou financeira. Regras, valores, taxas e alíquotas mudam com o tempo, inclusive por decreto ou lei; confirme nas fontes oficiais e, se precisar, procure um profissional habilitado antes de decidir. Investir envolve riscos e rentabilidade passada não garante resultado futuro.

Perguntas frequentes sobre como abrir conta conjunta

Preciso ser casado para abrir conta conjunta?

Não. A conta conjunta é um contrato entre o banco e duas ou mais pessoas físicas, sem exigência de casamento ou parentesco. Amigos, irmãos, pais e filhos maiores podem abrir juntos. O que o banco exige é que cada titular passe pela identificação e assine o contrato, escolhendo a modalidade solidária ou não solidária.

Posso abrir conta conjunta pelo aplicativo?

Depende do banco. Alguns permitem que o primeiro titular envie um convite pelo aplicativo e que o segundo conclua o cadastro com documento e biometria no próprio celular. Outros só abrem conta conjunta na agência, com todos presentes. Pergunte antes, porque muitos bancos digitais trabalham apenas com conta individual.

Dá para tirar um titular da conta conjunta?

A regra fica no contrato de cada banco. Em geral, a retirada de um titular exige a concordância de todos e, em muitos casos, o encerramento da conta antiga e a abertura de uma nova individual. Leia a cláusula de encerramento antes de assinar e guarde a cópia do contrato para consultar quando precisar.

Quem paga o saldo negativo de uma conta conjunta?

O saldo negativo pertence à conta, e o banco pode cobrar os titulares conforme o contrato. No caso de cheque sem fundos, a inclusão no cadastro de emitentes fica restrita a quem assinou o cheque, mas a dívida com o banco segue existindo. Se houver dúvida sobre a responsabilidade de cada um, busque orientação jurídica.