O IOF, sigla de Imposto sobre Operações Financeiras, é um imposto federal que você paga em situações específicas: ao pegar um empréstimo, ao comprar dólar ou usar o cartão no exterior, ao contratar certos seguros e ao resgatar um investimento em menos de 30 dias. Ele não incide sobre tudo, só sobre operações financeiras, e o valor varia conforme o tipo. Este guia explica o que é o IOF, quanto ele costuma custar em cada caso e, principalmente, como evitar pagá-lo à toa.

O que é o IOF

O IOF é um tributo cobrado pela União sobre operações de crédito, câmbio, seguros e aplicações financeiras. Além de arrecadar, ele funciona como uma ferramenta que o governo usa para influenciar a economia, incentivando ou desestimulando certas operações. Por isso suas alíquotas podem mudar por decreto, de forma rápida, sem precisar de uma nova lei. Foi o que aconteceu em 2025, quando o governo alterou as regras de várias operações, o que reforça a importância de sempre conferir o valor atual na fonte oficial.

Sobre o que o IOF incide

O imposto se divide em quatro grandes grupos de operações. Entender em qual delas você está é o que permite saber se vai pagar e quanto:

GrupoExemplosIncide IOF?
CréditoEmpréstimo, financiamento, cheque especial, rotativo do cartãoSim, parte fixa mais parte diária
CâmbioCompra de moeda em espécie, cartão internacional, remessasSim
SegurosSeguro de vida, de bens, planos específicosSim, alíquota varia por tipo
InvestimentosResgate de renda fixa em menos de 30 diasSim, tabela regressiva

Quanto é o IOF em cada caso

Os valores dependem da operação, e alguns mudaram no decreto de 2025, então trate os números abaixo como referência e confirme na Receita Federal antes de uma decisão importante.

Mãos segurando cédulas de dinheiro ao lado de um passaporte sobre a mesa

IOF no crédito

Em empréstimos e financiamentos para pessoa física, o IOF costuma ter duas partes: uma parcela fixa cobrada sobre o valor contratado e uma parcela diária, proporcional ao tempo até a quitação, limitada a um período máximo. Quanto mais longo o prazo, maior a parte diária, até o teto. O cheque especial e o rotativo do cartão, por serem crédito, também têm IOF, o que se soma aos juros altíssimos dessas linhas e reforça por que elas devem ser evitadas. Parte desse custo é o spread que o banco embute no juro.

IOF no câmbio e no cartão internacional

Nas operações de câmbio, como a compra de moeda estrangeira em espécie e as compras internacionais no cartão, passou a valer, após o decreto de 2025, uma alíquota de 3,5% sobre o valor. Antes havia um cronograma que reduziria gradualmente esse imposto até zerar no fim da década, mas ele foi revertido. Detalhamos esse ponto no texto sobre o IOF no cartão internacional, que é onde a maioria das pessoas mais sente o imposto.

IOF em investimentos

Aqui mora uma regra que pega muita gente de surpresa. Se você resgatar uma aplicação de renda fixa em menos de 30 dias, paga IOF sobre o rendimento, seguindo uma tabela regressiva que começa alta, perto de todo o ganho no primeiro dia, e cai a cada dia até chegar a zero no trigésimo. Ou seja, resgatou no dia 29, ainda paga um pouco; a partir do dia 30, não paga nada de IOF. Por isso, para investimentos de curtíssimo prazo, vale sempre esperar completar o mês.

IOF e Imposto de Renda: não confunda os dois

É comum misturar o IOF com o Imposto de Renda, mas eles são diferentes e podem até incidir ao mesmo tempo. O IOF é cobrado sobre a operação em si, de forma rápida, e some depois de certo prazo. O Imposto de Renda incide sobre o ganho, sobre o rendimento ou o lucro que você teve. Em um investimento de renda fixa, por exemplo, se você resgatar em menos de 30 dias, paga IOF sobre o rendimento e ainda paga Imposto de Renda sobre o que sobrou. Passados os 30 dias, o IOF zera, mas o Imposto de Renda continua, seguindo a sua própria tabela conforme o tempo de aplicação. Saber que são dois tributos distintos evita a confusão de achar que já pagou tudo quando pagou só um.

Um exemplo de como o IOF some depois de 30 dias

Imagine que você aplicou um valor em um CDB e precisou resgatar no décimo dia. Nesse caso, além do Imposto de Renda, você paga IOF sobre uma fatia do rendimento, porque a tabela regressiva ainda está alta nesse ponto. Se tivesse esperado até o trigésimo dia, o IOF seria zero, e sobraria mais dinheiro no bolso. O rendimento de poucos dias costuma ser pequeno, então o IOF nem sempre é um valor enorme, mas a lição vale: para qualquer aplicação, programar o resgate para depois de 30 dias elimina esse imposto por completo, sem esforço nenhum além da paciência.

Cartão de crédito sobre um extrato bancário ao lado de uma calculadora

Quando você paga IOF sem perceber

Como pagar menos IOF

Boa parte do IOF é evitável com planejamento. No crédito, fuja do rotativo e do cheque especial, que acumulam juros e imposto ao mesmo tempo. Nos investimentos, não resgate antes de 30 dias, a não ser em emergência real. Nas compras no exterior, compare a cotação e as tarifas de cada meio de pagamento, porque o IOF é só uma parte do custo. E, sempre que possível, prefira quitar compras à vista a recorrer a linhas de crédito caras, o que já elimina o imposto sobre o empréstimo.

Afinal, o que é o IOF e quanto ele custa no seu bolso

O IOF é o imposto que aparece nas bordas da sua vida financeira: no empréstimo, no dólar, no seguro e no resgate apressado de um investimento. Ele raramente é o maior custo de uma operação, mas é aquele que passa despercebido e se acumula. A boa notícia é que quase todo IOF pode ser reduzido com um pouco de planejamento: esperar o prazo, evitar crédito caro e comparar antes de comprar moeda. Saber quando ele incide já coloca você um passo à frente, pagando imposto só quando realmente não dá para evitar.

Conteúdo de caráter educativo e informativo, sem recomendação de investimento ou consultoria financeira. Regras, taxas e alíquotas mudam com o tempo, inclusive por decreto; confirme os valores atualizados nas fontes oficiais e, se precisar, procure um profissional habilitado antes de decidir.

Fontes